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O QUE É NEUROMODULAÇÃO NÃO INVASIVA?

A neuromodulação não invasiva incluiu uma variedade de técnicas desenvolvidas para influenciar ou modular a atividade do sistema nervoso humano. As modalidades terapêuticas podem variar de acordo com o contexto clínico, a localização, a precisão, o tamanho das áreas-alvo e o efeito desejado. Dentre as técnicas de neuromodulação cerebral não invasiva, três têm sido amplamente estudadas: a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS, do inglês transcranial direct-current stimulation), a estimulação magnética transcraniana (TMS, do inglês Transcranial Magnetic Stimulation) e a eletroestimulação periférica (PES do inglês Peripheral Eletric Stimulation). Mais recentemente outras modalidades também têm se desenvolvido com resultados promissores, tais como a estimulação transcraniana por corrente alternada (tACS do inglês transcranial Alternating Current Stimulation), estimulação transcraniana por ruído randômico (tRNS, do inglês transcranial random noise stimulation), estimulação transcutânea auricular do nervo vago (taVNS, do inglês transcutaneous Vagus Nerve Stimulation), a estimulação transcutânea por corrente direta da medula espinhal (TsDCS do inglês transcutaneous Spinal Direct Current Stimulation), estimulação magnética transespinhal (TSMS, do inglês repetitive Trans-Spinal Magnetic Stimulation ), entre outras.

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Técnicas Utilizadas

tDCS

A estimulação transcraniana por corrente direta (tDCS) consiste em uma técnica de modulação cortical não invasiva e indolor que, através da aplicação de corrente contínua de baixa intensidade sobre o crânio, é capaz de gerar uma neuromodulação da excitabilidade cortical e assim interferir no desempenho de diferentes funções. Desta forma, pode influenciar as funções motoras e sensoriais. Seus efeitos dependem principalmente da polaridade de corrente aplicada, da sua intensidade, do tempo de aplicação, da área estimulada e da densidade de corrente. Trata-se de terapia de baixo custo e de resultados significativos em diversas áreas de atuação.

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TMS

A estimulação magnética transcraniana (TMS) é baseada no princípio de indução eletromagnética, descoberto por Faraday em 1838. Uma bobina pequena que recebe uma corrente elétrica alternada extremamente potente é colocada sobre o crânio. A mudança constante da orientação da corrente elétrica dentro da bobina é capaz de gerar um campo magnético que atravessa a pele e os ossos. Durante a aplicação da TMS, correntes elétricas são induzidas em áreas corticais que podem despolarizar neurônios e gerar potenciais de ação que promovem a neuromodulação. Por meio da observação e análise das características dos potenciais de ação induzidos pela TMS é possível avaliar diferentes aspectos da neuromodulação com boa resolução temporal, espacial e funcional. Essas características tornam a TMS uma ferramenta indiscutivelmente útil para a avaliação da atividade do cérebro, fornecendo dados sobre plasticidade cerebral, representação de músculos e funções facilitatórias ou inibitórias do cérebro.

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TSMS

Nas últimas décadas, a estimulação da medula espinhal tem atraído muita atenção devido à sua capacidade de modular as redes motoras e sensoriais. A estimulação magnética transespinhal (TSMS), assim como a estimulação transcutânea por corrente direta da medula espinhal (TsDCS), são técnicas não invasivas que têm mostrado um potencial terapêutico, com várias investigações que se concentram em restaurar a função dos membros inferiores, com possível aplicação na reabilitação funcional das lesões da coluna vertebral.

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TaVNS

A estimulação do nervo vago auricular transcutâneo (taVNS) é uma forma relativamente recente de estimulação não-invasiva que consiste na estimulação elétrica do ramo auricular do nervo vago, ramo facilmente acessível que inerva a orelha humana. Os áreas principais de estimulação são: tragus e concha cimba. Na última década, vários grupos demonstraram a segurança e a tolerabilidade desse método que pode ser aplicado em ambiente clínico. A taVNS vem sendo estudada em populações neuropsiquiátricas com efeitos promissores nos domínios cognitivos, no funcionamento social, na dependência, inflamação e zumbido. Os parâmetros de estimulação podem variar entre os grupos e que apresentam efeitos colaterais mínimos.

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PES

A PES é utilizada há muito tempo, mas só recentemente seus efeitos sobre o comportamento e plascidade cerebral têm sido desvendados. A aplicação da PES provocando contrações musculares pode aumentar a excitabilidade cortical, tal como a tDCS anódica ou a rTMS de alta frequência. Com isso é possível promover plasticidade de forma seletiva na representação de músculos no córtex cerebral, inibindo ou facilitando sua atividade. Isto pode ser de especial ajuda para tratar de distúrbios de movimento onde existe hiperatividade de alguns músculos em detrimento da hipoatividade de outros.

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APLICAÇÕES

O uso da neuromodulação clínica não invasiva se desenvolveu inicialmente através de aplicação em casos de dor, distúrbios do movimento, doenças psiquiátricas, epilepsia, tinitus e reabilitação pós-AVC. O uso da neuromodulação associada a terapias ativas apresenta efeitos potencializados, como por exemplo neuromodulação associada à terapia ocupacional, ao o treino robótico assistido para o membro superior, terapia cognitvo-comportamental para depressão, terapia de linguagem para afasia, entre outros. A tDCS é apontada entre as sete tecnologias mais promissoras para o futuro da reabilitação de pacientes pós- AVC.